segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Russula queletil

Entoloma lazulinum

RETALHOS DA HISTÓRIA DO VINHO

A Vinha e o Vinho em Portugal
Desde os tempos mais remotos que o vinho tem vindo a desempenhar um papel de grande importância em quase todas as civilizações. Fruto da videira e do trabalho do Homem, não é ultrapassado por nenhum outro produto da agricultura, aliando esse fruto saboroso e nutritivo à bebida privilegiada, precioso néctar, dele extraída.
O vinho aparece, desde muito cedo, carregado de um valor sacramental, a que não é estranha a sua semelhança com o sangue, considerado a essência da própria vida, fonte de lendas e inspiração da mitologia. Considerado pelos antigos Dádiva de Deuses e Sangue de Cristo, o vinho é parte importante da nossa civilização, a que chamamos ocidental, cujos fundamentos se encontram no direito romano e na religião cristã, que desde sempre enalteceram e dignificaram este saboroso liquido.
Mas ... tentemos fazer uma pequena viagem até às mais recônditas origens, na história da vinha e do vinho em Portugal.
2 000 anos a.C.- séc.X a.C.- séc.II a.C.
Reino de Tartessos; Fenícios e Gregos; Celtas e Iberos
Embora envolto em muitas dúvidas e muitos mitos, pensa-se que a vinha terá sido cultivada, pela primeira vez, em terras da Península Ibérica (vale do Tejo e Sado), cerca de 2 000 anos a.C., pelos Tartéssios, os mais antigos habitantes desta Península, cuja civilização parece ter sido bastante avançada. Estes habitantes do Reino de Tartessos mantinham relações comerciais por todo o mundo trocando diversos produtos entre os quais o Vinho, que veio a servir, provavelmente, de moeda de troca no comércio de metais.
Os Fenícios, cerca do séc. X a.C., acabam por se apoderar do comércio dos Tartéssios incluindo o respeitante aos vinhos. Pensa-se, também, que tenham trazido algumas castas de videiras que introduziram na Península.
No séc. VII a.C. os Gregos instalam-se na Península Ibérica e desenvolvem a viticultura.
Na necrópole de Alcácer do Sal foi encontrada uma cratera grega de sino (vaso onde os Gregos diluíam o vinho com água antes de o consumirem), datada do séc. IV a.C. Os Gregos deram uma particular atenção à arte de fazer vinho.
Alguns autores referem que Ulisses ao fundar a cidade de Lisboa ( a que deu o nome de Ulisseia ou Olisipo) seguiu o costume usado nas suas viagens, oferecendo vinho para festejarem com ele as boas vindas.
Crê-se que no séc. VI a.C., os Celtas, a quem a videira já era familiar, teriam trazido para a Península as variedades de videira que cultivavam. É, também, provável que tenham trazido técnicas de tanoaria.
Os Celtas e os Iberos fundem-se num só povo - os Celtiberos -, ascendentes dos Lusitanos, povo que se afirma no séc. IV a.C.
Séc.II a.C. a Século VII
Romanos e Povos Bárbaros
A expansão guerreira de Roma na Península Ibérica conduziu aos primeiros contactos com os Lusitanos, cerca de 194 a.C., a que se seguiram longos anos de lutas de guerrilha, só vencidas pelos Romanos 2 séculos depois com a conquista de toda a Península em 15 a.C., conseguindo subjugar os Lusitanos.
A romanização na Península contribuiu para a modernização da cultura da vinha, com a introdução de novas variedades e, ainda, com o aperfeiçoamento certas técnicas como, por exemplo, a poda.
Nesta época a cultura da vinha teve um desenvolvimento muito grande dada a necessidade de se enviar vinho para Roma, onde o consumo era grande e a produção própria não satisfazia a procura. Os Romanos modernizaram a cultura, introduzindo novas variedades e melhorando as técnicas.
Seguiram-se as invasões bárbaras e a decadência do Império Romano. Suevos e Visigodos disputaram a Lusitânia aos Romanos, acabando por vencê-los em 585 da nossa era. Os povos ditos bárbaros adoptaram a civilização dos vencidos.
É nesta época (Sécs.VI e VII) que se dá a grande expansão do Cristianismo (apesar de já ser conhecido na Península Ibérica desde o séc. II). O vinho torna-se, então, indispensável para a acto sagrado da comunhão.
As invasões dos povos chamados bárbaros não trouxeram quaisquer diferenças na cultura da vinha. Pelo contrário, estes povos (Suevos e Visigodos) adoptaram a civilização romana, em que o vinho era considerado a única bebida adequada a povos civilizados. Pelo prestígio que esta civilização tinha conseguido, os invasores adoptaram a bebida favorita dos Romanos - o vinho.
Século VIII a XII
Alta Idade Média - Invasão dos Árabes
As invasões muçulmanas deram-se no ano 711 e, aí começa um novo período para a vitivinicultura ibérica. O Corão proibia o consumo de bebidas fermentadas e, portanto, o vinho. No entanto, o emir de Córdoba que governava a Lusitânia, mostrou-se tolerante para com os cristãos não proibindo a cultura da vinha e o fabrico do vinho.
Lisboa manteve, mesmo, o seu comércio tradicional de exportação de vinho.
No Algarve, onde o período do domínio muçulmano foi mais longo, ultrapassando cinco séculos, produziu-se sempre vinho, embora se seguissem os preceitos islâmicos. Nos séculos XI e XII, com o domínio dos Almorávidas e Almoadas, os preceitos do Corão foram levados com maior rigor dando-se, então, uma regressão na cultura da vinha.
Século XII a XIV
Baixa Idade Média
Na Idade Média, provavelmente a partir do séc. XII, os vinhos portugueses começaram a ser exportados para Inglaterra. Entre os séculos XII e XIII o vinho constituiu o principal produto exportado. Documentos existentes como, por exemplo, doações, legados, livros ou róis de aniversários, livros de tombos de bens, etc., confirmam a importância da vinha e do vinho no território português, mesmo antes do nascimento da nacionalidade. Conhecem-se doações, que incluíam vinhas, ao Mosteiro de Lorvão, entre 950 e 954.
Entretanto, já se tinha iniciado a Reconquista Cristã. As lutas dão-se por todo o território e as constantes acções de guerra iam destruindo as culturas, incluindo a vinha.
A fundação de Portugal em 1143 por D.Afonso Henriques e a conquista da totalidade do território português em 1249 aos mouros, permitiu que se instalassem ordens religiosas, militares e monásticas, com destaque para os Templários, Hospitalários, Santiago da Espada e Cister, que povoaram e arrotearam extensas regiões, tornando-se em activos centros de colonização agrícola, alargando-se as áreas de cultivo da vinha.
O vinho passou, então, a fazer parte da dieta do homem medieval começando a ter algum significado nos rendimentos dos senhores feudais. No entanto, a sua importância mantinha-se muito pelo seu papel nas cerimónias religiosas. Daí o interesse dos clérigos, igrejas e mosteiros, então em posição dominante, se interessarem pela cultura da vinha. A produção de vinho começou a ter um grande desenvolvimento na segunda metade do séc. XIV, renovando-se e incrementando-se a sua exportação.
Século XV - XVII
Idade Moderna - Renascimento
Nos séculos. XV e XVI, no período da expansão portuguesa, as naus e galeões que partiram em direcção à Índia, um dos produtos que transportavam era o vinho. No período áureo que se seguiu aos Descobrimentos, os vinhos portugueses constituíam lastro nas naus e caravelas que comerciavam os produtos trazidos do Brasil e do Oriente. Em meados do século XVI, Lisboa era o maior centro de consumo e distribuição de vinho do império. A expansão marítima portuguesa levou o vinho aos quatro cantos do mundo.
Nos séculos XVI e XVII, com a publicação de várias obras de cariz geográfico e relatos de viagens, quer de autores portugueses quer de autores estrangeiros, é possível fazer-se uma ideia das zonas vitivinícolas portuguesas, do prestígio dos seus vinhos, da importância do consumo e do volume de exportações.
Século XVIII a XX
Idade Contemporânea
Em 1703, Portugal e a Inglaterra assinaram o Tratado de Methwen onde as trocas comerciais entre os dois países foram regulamentadas. Ficou estabelecido um regime especial para a entrada de vinhos portugueses em Inglaterra. A exportação de vinho conheceu, então, um novo incremento.
No século XVIII, a vitivinicultura sofreu, assim como outros aspectos de vida nacional, da influência da forte personalidade do Marquês de Pombal.
Uma grande região beneficiou de uma série de medidas proteccionistas - a região do Alto Douro e o afamado Vinho do Porto. Em consequência da fama que este vinho tinha adquirido, ele começou a ser procurado por outros países da Europa, além da Inglaterra, importador tradicional. As altas cotações que o Vinho do Porto atingiu fez com que os produtores se preocupassem mais com a quantidade do que com a qualidade dos vinhos exportados, o que deu origem a uma grande crise. Para pôr fim a esta crise, o Marquês de Pombal criou, em 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro com o fim de disciplinar a produção e o comércio dos vinhos da região, tornando-a na região demarcada mais antiga do mundo.
O século XIX foi um período negro para a vitivinicultura. A praga da filoxera, que apareceu primeiro na região do Douro em 1865, rapidamente se espalhou por todo o país, devastando a maior parte das regiões vinícolas. Colares foi a única excepção porque a filoxera não se desenvolve em terrenos de areia. Vencida esta grande ameaça, lentamente a produção de vinho foi recuperada.
Em 1874, os vinhos portugueses estiveram representados na Grande Exposição de Londres. Em 1900, na Exposição Universal de Paris, a comissão encarregada da representação portuguesa editou uma obra bilingue Le Portugal Vinicole, a fim de ser distribuída durante a exposição.
A adesão de Portugal à Comunidade Europeia, em 1 de Janeiro de 1986, veio introduzir uma nova perspectiva na economia portuguesa e, consequentemente, na viticultura. Assim, em cada região com direito à designação de VQPRD (Vinhos de Qualidade Produzidos em Região Determinada) foi criada uma Comissão Vitivinícola Regional (CVR), a qual tem por objectivos a defesa das denominações de origem correspondentes às suas zonas, a aplicação, vigilância e cumprimento da respectiva regulamentação, assim como o fomento e controlo dos seus vinhos.
Actualmente existem, na totalidade do território português, 48 regiões demarcadas com direito à designação de VQPRD.
Algumas curiosidades históricas
A grande qualidade dos vinhos portugueses foi sempre muito apreciada no estrangeiro, pelo que damos alguns exemplos.
Em 1381, Portugal já exportava grande quantidade de Moscatel de Setúbal para Inglaterra.
A popularidade do vinho do Porto fez com que Portugal assinasse com a Grã-Bretanha, no ano de 1703, o Tratado de Methwen, pelo qual este vinho beneficiava de taxas aduaneiras preferenciais. Durante o século XVIII, para os ingleses vinho era, praticamente, sinónimo de vinho do Porto
No reinado de D.Maria I, altura em que os vinhos portugueses adquiriram grande projecção e se iniciou a exportação dos vinhos regionais, os vinhos da Bairrada foram exportados para a América do Norte, França, Inglaterra e, em especial, para o Brasil, onde os vinhos desta região eram muito apreciados.
Com as Invasões Francesas, o vinho de Bucelas começou a ser conhecido internacionalmente. Wellington apreciava-o de tal maneira que o levou de presente ao então príncipe regente, mais tarde, Jorge III de Inglaterra. Depois da Guerra Peninsular, este vinho tornou-se um hábito na corte inglesa. No tempo de Shakespeare o vinho de Bucelas era conhecido por Lisbon Hock (vinho branco de Lisboa).
Também o vinho de Carcavelos foi bem conhecido das tropas de Wellington que o levaram para Inglaterra e que foi, durante largos anos, exportado em grandes quantidades.
O vinho da Madeira foi considerado um dos de maior requinte nas cortes europeias, tendo chegado mesmo a ser usado como perfume para os lenços das damas da corte. Na corte inglesa, este vinho rivalizava com o vinho do Porto. Shakespeare referiu-se ao vinho da Madeira, como essência preciosa, na sua peça Henrique IV. Um nobre inglês, o duque de Clarence, irmão de Eduardo IV, deixou o seu nome ligado a este vinho quando, ao ter sido sentenciado à morte na sequência de um atentado contra o seu irmão, escolheu morrer por afogamento num tonel de Malvasia da Madeira. Mas para além da Inglaterra, também a França, a Flandres e os Estados Unidos o importavam.
Francisco I orgulhava-se de o possuir e considerava-o o mais rico e delicioso de todos os vinhos da Europa. As famílias importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia disputavam umas às outras os melhores vinhos da Madeira.
O vinho do Pico (Açores) foi largamente exportado para o Norte da Europa e até mesmo para a Rússia. Depois da revolução de 1917, foram encontradas garrafas de vinho Verdelho do Pico armazenadas nas caves dos antigos czares da Rússia.
Beber vinho e saber apreciá-lo, é uma arte nobre e delicada.

domingo, 13 de novembro de 2011

Retalhos de Moscavide

Moscavide é uma freguesia portuguesa do concelho de Loures, fronteira a Lisboa, com 1,02 km² de área e 12 184 habitantes (2001). Densidade demográfica: 15 823,4 h/km². Localizada no extremo sudeste do concelho, a freguesia de Moscavide faz fronteira com Sacavém, a norte, Portela, a oeste (em Loures), com Santa Maria dos Olivais, a sul (na cidade de Lisboa), e ainda com o rio Tejo, a este. Para além disso, inclui ainda uma parte do Parque das Nações, estrutura onde esteve alojada em tempos a EXPO 98.
Moscavide é uma freguesia relativamente recente. Foi criada em 23 de Março de 1928, através do decreto n.º 15 222, por desmembramento das freguesias de Santa Maria dos Olivais (Lisboa) e de Sacavém (Loures), ficando integrada no concelho de Loures.[1]
Abrangia então os sítios da Encarnação, dos Marcos e de Beirolas, envolventes da chamada Estrada de Moscavide (à qual foi buscar o seu nome), que seguia rumo a Sacavém (curiosamente, no entanto, a dita estrada continuou integrada na freguesia dos Olivais até hoje; a parte remanescente originou a Avenida de Moscavide, que é hoje a rua mais movimentada da localidade).
Mais tarde, em 4 de Fevereiro de 1955[2], e por motivos ainda não completamente esclarecidos (posto que o diploma legal é omisso), decorrentes da delimitação entre os concelhos de Loures e Lisboa, a região de Beirolas, onde estava sediado um quartel do Exército, transitou para o espaço da freguesia dos Olivais, o que confere à freguesia a sua estranha configuração geográfica na parte oriental[3]. Em 1996, um projecto de lei da autoria do PS previa a rectificação dos limites concelhios e a reintregação de Beirolas em Moscavide [4], mas a iniciativa, depois de ter baixado à respectiva comissão parlamentar de administração do território, acabou por caducar com o fim da legislatura, não tendo sequência.
O nome Moscavide parece derivar do árabe maskabat, que significa «sementeira», denotando assim a grande antiguidade do sítio. Conhecem-se alusões em tempos antigos ao sítio de Busca-Vides, que eventualmente também terá contribuído para a formação do topónimo moderno.
Não obstante o seu reduzido espaço, Moscavide cresceu bastante, fazendo com que a freguesia fosse, durante muito tempo, uma das de maior densidade populacional do concelho de Loures. Este desenvolvimento populacional exagerado é ainda hoje recordado no seu brasão, através dos favos de mel que fazem lembrar o modo como a freguesia cresceu. Paralelamente, a vida operária deu lugar ao comércio e aos serviços, que ainda hoje são uma imagem de marca da terciarização do espaço urbano moscavidense.
Moscavide viria, em face disso, a ser elevada a vila em 3 de Abril de 1964, pelo decreto n.º 45 637 (decreto esse que conferia idêntico estatuto à povoação de Odivelas, então também situada no concelho de Loures).[5]
Destaca-se, do conjunto urbano, a Igreja de Santo António de Moscavide, construção recente e em linhas modernas (foi inaugurada em meados dos anos 50). Moscavide integra também no seu território o Seminário do Cristo-Rei, pertença do Patriarcado de Lisboa, algumas velhas quintas (Alegria, Candeeiro, Cabeço), e antigas vilas operárias.
Actualmente, conta também com uma vida nocturna bastante activa, vinda desde a Expo 98, pois é neste freguesia que se situam os "bares do Oriente", uma alameda de cafés, restaurantes e discotecas, à beira-rio, frequentados maioritariamente aos fins de semana e vésperas de feriados pelos mais jovens.
Heráldica
Os habitantes do Parque das Nações defendem, actualmente, a criação da Freguesia do Oriente, cujo limite Norte será, uma vez fundada, o rio Trancão, o que, na óptica da Junta de Freguesia de Moscavide, amputará uma parte significativa de território da freguesia. No entanto, esse território não faz parte, em termos funcionais, de Moscavide, mas sim da Cidade de Lisboa. A proposta visa, portanto, adequar a divisão administrativa à realidade das populações.
Tal desejo é, em geral, recusado pelos habitantes de Moscavide que não habitam no Parque das Nações. No entanto, os partidos e organizações que defendem esta alteração administrativa (ou seja, a criação da Freguesia do Oriente dentro do Concelho de Lisboa ou, no mínimo, a inclusão de todas as áreas do Parque das Nações na Freguesia de Nossa Senhora dos Olivais) defendem ser esta a forma mais racional de gerir um espaço como o Parque das Nações, que actualmente é dividido por três freguesias e dois concelhos (além de que o Concelho de Loures, actualmente, não administra o território do Parque das Nações - por exemplo, não administra a distribuição de água nem os outros serviços municipalizados, ao contrário com o que acontece com a parte de Lisboa - recebendo apenas os impostos municipais provenientes do mesmo, o que implica um desfasamento entre quem recebe e quem actua).
Com a dissolução parlamentar em finais de 2004, ordenada pelo Presidente da República, as iniciativas legislativas em causa caducaram, mas já na Legislatura do Partido Socialista foram ambas de novo apresentadas à discussão pelo PSD, achando-se de momento na comissão de ordenamento territorial, para discussão.

sábado, 12 de novembro de 2011

CICLO DO NITROGÉNIO OU AZOTO

O ciclo do nitrogénio ou ciclo do azoto é o ciclo biogeoquímico que comporta as diversas transformações que este elemento sofre no seu ciclo entre o reino mineral e os seres vivos.
O nitrogénio molecular, N2, é um gás biologicamente não utilizável pela maioria dos seres vivos. A sua entrada no mundo vivo ocorre graças à actividade dos microrganismos fixadores, as algas azuis e algumas bactérias, que o transformam em amónia. No processo de nitrificação, outras bactérias transformam a amónia em nitritos e nitratos.
Essas três substâncias são utilizadas pelos vegetais para a elaboração de compostos orgânicos nitrogenados que serão aproveitados pelos animais. O ciclo fecha-se a partir da actividade de certas espécies de bactérias, que efectuam a desnitrificação e devolvem o nitrogénio molecular para a atmosfera.
A plantação de leguminosas(feijão, por exemplo),a chamada adubação verde, enriquece o solo com compostos nitrogenados, uma vez que nas raízes dessas plantas há nódulos repletos de bactérias fixadoras de nitrogénio.
Outro procedimento agrícola usual é a rotação de culturas, na qual se alterna o plantio de não-leguminosas, que retiram do solo os nutrientes nitrogenados, com leguminosas que devolvem esses nutrientes ao meio.


CICLO DA ÁGUA

O ciclo da água pode ser considerado sob dois aspectos: o pequeno ciclo, ou ciclo curto, e o grande ciclo, ou ciclo longo.
Pequeno ciclo
No pequeno ciclo, a água dos oceanos, lagos, rios, glaciares e mesmo a embebida no solo sofre evaporação pela acção do calor ambiental e passa à forma de vapor, dando origem às nuvens. Nas camadas mais altas da atmosfera, o vapor de água sofre condensação, e a água líquida volta à crosta terrestre na forma de chuva.
O ciclo das chuvas foi um dos responsáveis pelo arrefecimento relativamente rápido da crosta terrestre, nos primórdios de nosso planeta. Hoje, o ciclo das chuvas contribui para tornar o clima da Terra favorável à vida.
Grande ciclo
No grande ciclo, a água é absorvida pelos seres vivos e participa do metabolismo deles, sendo posteriormente devolvida para o ambiente.
As plantas absorvem a água infiltrada no solo por meio de suas raízes. Além de ser solvente e reagente de inúmeras reacções químicas intra celulares, a água é uma das matérias-primas da fotossíntese: os seus átomos de hidrogénio irão fazer parte da glicose fabricada e os seus átomos de oxigénio unir-se-ão para formar o O2 (gás oxigénio) libertado para a atmosfera. Na respiração, as plantas degradam as moléculas orgânicas que elas mesmas fabricam para obter energia, libertando anidrido carbónico e água.
As plantas estão sempre a perder água através da transpiração, principalmente durante o dia. É por isso que o ar é húmido nas florestas e seco nos desertos e áreas desmatadas. Uma vez que absorvem água do solo e a libertam, sob a forma de vapor para a atmosfera, as plantas contribuem para a manutenção de um grau de humidade do ar altamente favorável à vida.


CICLO DO OXIGÉNIO

O ciclo do oxigénio é complexo, uma vez que esse elemento é utilizado e libertado pelos seres vivos em diferentes formas de combinação química. O principal reservatório de oxigénio para os seres vivos é a atmosfera, onde esse elemento se encontra na forma de gás oxigénio (O2) e de dióxido de carbono (CO2).
O O2 é utilizado na respiração aeróbica das plantas e animais. Nesse processo, os átomos de oxigénio combinam-se com átomos de hidrogénio, formando moléculas de água. A água formada na respiração, chamada água metabólica é, em parte, eliminada para o ambiente através da transpiração, da excreção e das fezes, em parte utilizada em processos metabólicos. Dessa forma, os seus átomos de oxigénio acabam incorporados na matéria orgânica e podem voltar à atmosfera através da respiração e pela decomposição do organismo, que produzem água e anidrido carbónico.
O CO2 atmosférico é utilizado no processo de fotossíntese. Os carbonos e os oxigenados presentes no anidrido carbónico passam a fazer parte da matéria orgânica do vegetal e tanto a respiração como a decomposição dessa matéria orgânica restituirão o oxigénio à atmosfera, na forma de água e anidrido carbónico. A água utilizada pelas plantas na fotossíntese é quebrada, e os seus átomos de oxigénio são libertados para a atmosfera na forma de O2.


CICLO DO CARBONO

O carbono presente nos seres vivos é, originalmente, proveniente da atmosfera. Por meio da fotossíntese, os seres fotossintetizantes fixam o carbono que retiram do CO2 atmosférico. Esses átomos de carbono passam a fazer parte das moléculas orgânicas fabricadas.
Durante a respiração, uma parte das moléculas orgânicas é degradada, e o carbono que as constituía é devolvido à atmosfera, novamente na forma de CO2. Parte do carbono retirado do ar passa a constituir a biomassa dos seres fotossintetizantes, podendo eventualmente ser transferida aos animais herbívoros.
Nos herbívoros, parte do carbono contido nas moléculas orgânicas dos alimentos é libertada durante a respiração, e o resto irá constituir a sua biomassa, que poderá ser transferida para um carnívoro. Dessa forma, o carbono fixado pela fotossíntese vai passando de um nível trófico para outro, enquanto retorna gradualmente à atmosfera, em consequência da respiração dos próprios organismos e da acção dos decompositores, que actuam em todos os níveis tróficos.


CICLO DO FÓSFORO

Além da água, do carbono, do azoto e do oxigénio, o fósforo também é importante para os seres vivos.
Em certos aspectos, o ciclo do fósforo é mais simples do que os ciclos do carbono e do azoto, pois não existem muitos compostos gasosos de fósforo e, portanto, não há passagem pela atmosfera. Outra razão para a simplicidade do ciclo do fósforo é a existência de apenas um composto de fósforo realmente importante para os seres vivos: o íon fosfato.
As plantas obtêm fósforo do ambiente absorvendo os fosfatos dissolvidos na água e no solo. Os animais obtêm fosfatos na água e no alimento.
A decomposição devolve o fósforo que fazia parte da matéria orgânica ao solo ou à água.

solidão

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA VIDA NA CIDADE

Neste pequeno trecho vou tentar mostrar as vantagens e desvantagens de viver num meio urbano e que são mais notórias principalmente nas grandes metrópoles. Torna-se impossível falar neste assunto sem abordar a vida no campo e para isso recorro por vezes a exemplos de comparação, a fim de dar uma ideia mais concreta do meu ponto de vista.
Os meios urbanos são locais, fundamentalmente pela sua densidade populacional, onde logicamente se concentram a grande maioria dos interesses e das oportunidades, absorvendo assim uma grande franja de população aliciada por imensas propostas de melhoria da qualidade de vida. A cidade só por si, promete apenas mais oportunidades de diversos tipos, uma maior oferta de espaços lúdicos e maiores possibilidades de emprego, o que, não é só por si, garantia de qualidade de vida. O simples facto de uma cidade se encontrar sobrecarregada de população e consequentemente não dispor de equipamentos sociais à altura das situações, seja por má gestão dos responsáveis ou por que se encontra desfasada da realidade e não houve meios suficientes para acompanhar o aumento demográfico galopante, é uma das grandes desvantagens que se encontram nas cidades. Com o crescimento desordenado vem também o aumento da criminalidade, a falta de qualidade do ar, o stress, etc. evidentemente que todas as infra-estruturas básicas se encontram mais acessíveis, mas a que preço?
Tudo o que é artificial e dá prazer ou cria uma concepção utópica da realidade, atrai o Homem. Com o grande advento das novas tecnologias, tudo se tem conjugado para criar ambientes e modos de vida artificiais e, na maioria dos casos, desligados da realidade. As pessoas são atraídas à vida nas cidades por tentações cada vez mais apetecíveis e requintadas e fazem qualquer coisa para atingir determinado estilo de vida ou nível social,tentam possuir tudo o que lhes garanta um maior conforto ou um determinado “status”, acabando em grande parte das situações por não terem sequer tempo para usufruir de tudo o que conseguem obter.
A sociedade encontra-se em constante mutação, como tudo na Natureza (não nos podemos esquecer que também fazemos parte dela) no entanto, a vida na cidade embota-nos os sentidos e por vezes esquecemo-nos de onde viemos. À medida que a sociedade se transforma, as necessidades das pessoas passam também por alterações e começa-se a questionar e a pesar precisamente se as vantagens compensam as desvantagens de viver no meio urbano, acabando, principalmente nos anos mais recentes, por haver imensas pessoas que já fazem o contrário do que fizeram os seus pais e avós e deixam as cidades com o ideal de encontrar na vida no meio rural uma maior paz de espírito, mais contacto com a Natureza e por conseguinte mais qualidade de vida.
Neste trabalho fica portanto concluído, através de todas estas evidências, que as vantagens da vida na cidade acabam por não compensar as desvantagens e que com a descentralização cada vez maior de meios e equipamentos, associadas a uma cada vez maior facilidade na comunicação e nas acessibilidades, concluímos que a vantagem que ainda se mantém na cidade e que faz com que ainda bastante gente a procure para viver, se resume exclusivamente à área económica, uma maior facilidade em obter emprego e melhores salários. Aquilo a que alguns chamam o regresso às origens, está a fazer uma boa franja da população abdicar dessa vantagem que a cidade ainda representa e preferir apostar em novas profissões no campo, apesar de se tratar de investimentos de maior risco, por vezes com maiores custos, com menores salários e geralmente com prazos muito maiores de tempo para recuperar esses mesmos investimentos, no entanto justifica-se sempre a tentativa em face do aumento de desvantagens que a cidade oferece hoje em dia.




PATRIMÓNIO RURAL E URBANO

Com o despontar de novos modos de vida, houve um maior incremento de novas profissões em áreas de mercado que se encontravam sub-aproveitadas ou mesmo esquecidas. Uma maior valorização do património tem sido ao longo dos tempos um dos métodos utilizados para atrair gente às cidades e captar investimentos. Actualmente, com a mudança de mentalidades que começa a tomar forma e com o fluxo populacional cada vez maior em direcção ao meio rural, urge fazer o mesmo no campo e as apostas já começam a surgir, principalmente no aspecto do turismo. Desde a gastronomia ao aproveitamento das zonas florestais com fins desportivos, educativos ou apenas lúdicos, começam a aparecer cada vez mais negócios que apostam numa valorização das potencialidades do património das áreas rurais e florestais.. Casas especializadas em produtos regionais, artesanato e um turismo rural cada vez de maior qualidade e com mais pontos de interesse, para além de um aproveitamento das belezas naturais das várias regiões de uma forma sustentada são algumas das apostas que já se fazem actualmente. Enquanto que nas cidades se apostava sobretudo no património histórico e cultural, nos monumentos e equipamentos culturais que até há alguns anos atrás se encontravam em défice no meio rural, actualmente no campo já se investe no património histórico, cultural e natural. Criaram-se novas infra-estruturas, tais como, praias fluviais, melhores parques de campismo, uma grande aposta na agricultura biológica e no naturismo, ainda não muito representativo em Portugal.
O aproveitamento racional do património natural, cultural e histórico de determinada região, torna-se numa ferramenta fundamental para o desenvolvimento da mesma, transformando-se assim simultâneamente num pólo de atracção do turismo e em consequência disso, também do desenvolvimento, mas tudo conjugado e sempre de uma forma sustentável , de maneira a que o desenvolvimento crie boas condições de vida a quem lá habita e aos forasteiros que por lá passam.